Vamos tirar só um pouco do foco de mim, dos meus livros e de qualquer outra coisa e vamos falar sobre algo marcante e, com certeza, emocionante que ocorreu ontem, na 19ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo.
Estou aqui como parte de uma minoria que, em pleno 2015, ainda é vista como algo ruim para sociedade, algo maligno e profano. Isso é tão triste, que chega doer, mas é real.
A internet, principalmente o Facebook e sites de caráter religioso (em grande maioria evangélicos), foi inundada por postagens de ódio e incompreensão. E quando digo ódio, digo do pior ódio que existe, digo sobre aquele ódio em que esquecemos que somos todos semelhantes, segunda à Bíblia "Imagem e Semelhança de Deus".
É a partir deste momento, que deixamos o respeito, a moral e o pouco conhecimento que temos da vida num canto escuro de nossa cabeça. Nos trancamos em um mundo nosso e, assim, passamos a "pensar" que somos donos da verdade absoluta. E já digo logo, eu não sou perfeito, já agi desta forma em muitos casos, mas nós evoluímos, precisamos evoluir para tornar o mundo um lugar melhor para todos. Mas, infelizmente, uma grande maioria de pessoas insiste em fechar suas mentes para invadir o espaço do outro.
Mais uma vez menciono o quão triste isto é, afinal, é algo que faz parte do homem. Olhem bem a História mundial, já houveram muitos casos em que alguém fechou-se dentro de seu mundo particular, repleto de ideias e ideologias para um mundo ideal para ELE, e no que resultou? CAOS, MORTE, TRISTEZA e DESTRUIÇÃO.
Ainda não fazem a mínima ideia do que eu estou falando? Hitler com seu Nazismo opressor, Roma com suas metas sangrentas de conquista territorial e muitos outros casos. Todos eles tiveram seu fim, sim, mas deixaram suas marcas, que prevalecem até os dias de hoje. E já dizia o ditado "errar uma vez é humano, mas erras duas vezes é burrice."
Agora me digam: Por que vocês continuam batendo na mesma tecla?
Antes de prosseguir com a leitura deste texto, reflita sobre um dos mandamentos mais significativos/proveitosos da querida bíblia que tanto amam:
Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros (Jo 13,34).
Posso não ser adepto nem do catolicismo, nem das doutrinas protestantes (nascidas a partir de um PROTESTO bem famoso com principal representante Martinho Lutero, vocês devem se recordar das aulas de História), mas se há algo que respeito, é a Bíblia. Não há motivos para não respeitar, o livro é o melhor relato existente do desenvolvimento humano.
Mas tudo bem. Quero chegar ao ponto em que lhes pergunto quando foi que esqueceram um dos principais mandamentos de sua amada doutrina? Onde foi parar esse amor que é pregado (presumivelmente) constantemente dentro das igrejas brasileiras?
Quero, realmente, saber.
A corajosa Viviany, jovem trabalhadora, na minha compreensão, quis apenas retratar, simbolicamente, a tristeza vivida dia à dia quando recebemos a notícia de que mais um Homossexual (Gay ou Lésbica)/Travesti/Transexual foi vítima de um crime de ódio, ou então humilhado publicamente.
Não digo, jamais, que esses atos são todos frutos de fanáticos religiosos (seria bem mais fácil resolver o problema caso fossem), mas sim fruto de pessoas que não aceitam aquilo que é diferente dos ideais impostos a eles.
Olhando por este lado, a crucificação simbólica de Viviany Belebony representa o sofrimento de todos aqueles que sofrem, de uma forma ou de outra, injustamente nas mãos de uma maioria opressora. Vale lembrar que Jesus não foi o único crucificado da história, muitos outros foram antes e depois dele.
Ele não morreu na cruz para salvar toda a humanidade de seus pecados? Não me lembro, em momento algum, de ter lido na Bíblia que ele escolheu a quem salvar. Jesus, o filho de Deus, salvou a todos, sem distinção de cor, etnia, opção sexual, gênero ou idade. Então, meus queridos, se vocês acreditam tanto assim nos ensinamentos do livro sagrado, que tal parar para pensar um pouco sobre a compreensão errada que lhes está sendo passada?
Agora vamos ao foco. Faço-lhes as seguintes perguntas, mas já as respondo:
O ato de Viviany foi ousado? Foi sim, mal qual forma de arte/protesto não é?
O ato de Viviany foi desrespeitoso/debochado? NUNCA.
Significado de Deboche
s.m. Ação ou efeito de debochar.
Ausência de regras; má conduta, devassidão, libertinagem.
Modo de vida depravado cujas características se baseiam na devassidão, nos vícios, na libertinagem etc: seu marido é dado ao deboche.
Brasil. Ação de zombar insistentemente; escárnio, zombaria.
P.analogia. Maneira de desconsiderar; desprezar algo ou alguém através da ironia: tratava-a com deboche.
(Etm. do francês: débauche)
O que a moça fez foi, além de protesto e arte, uma homenagem aos adeptos da religião que não se identificam com o ódio e apoiam a igualdade de gêneros. Ela conseguiu mostrar que, apesar de todo o ódio que recebemos, ainda conseguimos amar e perdoar (mais um importante ensinamento da Bíblia) àqueles que nos fazem tanto mal. Onde esta o desrespeito? Onde está a zombaria no ato de Viviany?
Eu sinceramente não sei.
Significado de Blasfêmia
s.f. Discurso, palavra proferida, que ofende fortemente uma divindade, insulta uma religião ou tudo que pode ser considerado sagrado.
Discurso, expressão, opinião, enunciado capaz de denegrir e ofender algo respeitoso ou reverenciado.
Palavra injuriosa contra pessoa ou coisa respeitável.
Contrassenso. Declaração absurda, sem nexo, sem lógica.
(Etm. do grego: blasphemia)
É extremamente claro que a moça, em momento algum, fez algum discurso para denegrir a imagem de Jesus Cristo ou seus seguidores. Ela apenas carregou a mensagem em busca do fim dessa coisa chamada homofobia.
Falando sobre este assunto, jamais pensei que leria a palavra "cristofobia" nas redes, confesso ter ficado chocado. Ao pé da letra, "cristofobia" teria significado de que alguém apresenta medo, aversão à Cristo, mas ela expressa ódio, nojo e afins. Agora, queridos, me respondam: em que mundo uma pessoa que tem medo/nojo/ódio por algo, se fantasiaria dele?
É muito estranho, pois eu nunca presenciei um homofóbico "fingindo" ser gay ou vestido como uma travesti para odiá-los. Conseguem notar a falta de senso? Pois é. Seria bem mais viável, fazer assim como alguns ditos cristãos (não quero generalizar) e persegui-los aos gritos, ou então "urinar" em suas bíblias para depois atear-lhes fogo. Não foi isso que aconteceu com a senhora de 91 anos (por simplesmente ser sacerdotisa de uma religião africana) e com a Igreja católica que foi depredada?
Isso, sim, eu chamo de ódio e falta de respeito, não o que Viviany expôs na parada.
Reflitam meus caros, apenas reflitam.
Eu queria falar muito mais, mas vocês já devem ter entendido a mensagem.
Não estou aqui para julgar ninguém, não tenho esse poder e nem quero, mas eu quero, posso e devo lutar pelo meu lugar na sociedade!
E, lembrando, de forma alguma tive a intenção de ofender alguém, apenas expressei a minha humilde opinião.
Adendo sobre o que disse de que nem todos se enquadram no preconceito odioso por serem religiosos:




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